quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Aviso importante/É Natal ! ❄





Olá!

Primeiro que tudo:
Feliz Natal!
Espero que tenham um Natal maravilhoso, que o passem junto das pessoas que mais amam e que se divirtam! Para mim a palavra-chave do Natal é: FAMÍLIA! Há algo mais importante no mundo que a nossa família? E quando me refiro a este grupo de pessoas também menciono os amigos, que se forem verdadeiros pertencem também à nossa família.
Não sei se publico antes de 2015, por isso: Próspero Ano Novo!
Muitas das vezes referimo-nos a promessas de ano novo quando o fim do ano se aproxima e maior parte das vezes não as cumprimos (pelo menos comigo acontece assim). Na minha opinião não precisamos da passagem de ano para fazermos as tais promessas, só precisamos de força de vontade e coragem!
Espero que este novo ano nos traga a todas coisas boas. Que nos traga amor, felicidade, esperança e paciência (que tantas vezes nos falta).

Segundo:
Há um assunto importante de que vos preciso de falar. Trata-se do futuro de Be my forever.
Não vos vou mentir. Esta história começou num impulso e estes por vezes correm bem e outras vezes correm mal. Neste caso não sei bem como correu, digam-me vocês.
Bem, tenho uma decisão a comunicar-vos (ou talvez ainda não esteja decidido). Eu tenciono concentrar esta história na Núria. Não irei esquecer o Eden nem o Oscar mas gostava de me concentrar mais nela. Não sei se me consigo fazer entender (espero mesmo que compreendam porque isto é difícil de explicar).
Para quem leu o capítulo sete, percebeu tudo se concentrou na Núria. Concentrou-se no passado dela e é isso que quero daqui para a frente. Sem nunca me esquecer do Eden ou do Oscar eu quero concentrar-me mais na personagem principal, entendem?
Espero as vossas opiniões quanto a esta (quase) decisão. Fico à espera do vosso apoio (ou não). Mas por favor expressem-se quanto a este assunto. Não precisam de dizer muito. Apenas se concordam ou não.
* Têm ali a sondagem de lado e agradecia que respondessem.

Beijinhos,
Feliz Natal!
Mahina

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Capitulo 7

- O que queres para jantar, Núria? – perguntou Júlia assim que entrou no quarto da filha. Surpreendeu-se ao vê-la a arranjar-se.
- Mãe… - levou a mão à testa lembrando-se que se tinha esquecido de a avisar – esqueci-me completamente de te avisar que hoje não janto em casa.
- Pode-se saber porquê?
- Claro! Vou jantar com alguns antigos colegas.
- A Débora, a Alexandra e a Helena?
- Sim – assentiu com a cabeça com um sorriso no rosto – e mais alguns certamente.
- Como o Ricardo?
- Mãe, eu não sei.
- Há quanto tempo é que não estás com o Ricardo?
- Há um ano, por aí.
- Hum – Júlia olhou a filha aquilo não lhe parecia a verdade, decidiu então tentar outra coisa – reformulando a pergunta, há quanto tempo não tens uma conversa com o Ricardo?
- Bem, isso é mais complicado. A última vez que falámos como deve ser foi nas primeiras férias de verão que vim a Portugal, depois de ir para Londres.
- E não achas que…chegou a altura de…?
- Mãe – Núria interrompeu-a, começou a caminhar no quarto. Aquela conversa deixava-a nervosa – não é que eu já não o tenha perdoado mas custa-me tudo isto e ainda me custa mais olhar para a cara da Dânia. Por mais anos que tenham passado há coisas que ainda me custam.
- Ouve, isto é só a minha opinião mas acho que não voltas para Portugal tão cedo e por isso podias deixar por aqui a tua vida organizada, entendes?
- Juro que vou pensar nisso. – prometeu-lhe.
Júlia já se encaminhava para o exterior do quarto quando se lembrou:
- Núria? Já não era suposto estares em Londres?
- Era mas…falamos melhor depois, está bem? Eu tomei uma decisão e só volto daqui a umas semanas. Eu depois conto-te tudo mas agora estou a ficar atrasada. – aproximou-se da mãe e deu-lhe um pequeno beijo na testa – devo vir tarde.
- Porta-te bem!
Piscou o olho a Júlia antes de sair de casa.
Durante o caminho que fez até ao sítio onde se tinham combinado encontrar a sua cabeça não deixou de pensar em alguém: o Ricardo. A história era comprida e com um fim até bem desagradável mas agora que a sua mãe tinha tocado no assunto, o mesmo parecia não querer largá-la.
Ricardo tinha sido o namorado de Núria durante quase três anos. Quando o fim do secundário estava próximo, ela já tinha a sua decisão tomada de ir para Londres, Ricardo até tinha posto a hipótese de ir com ela mas em apenas umas semanas tudo se desmoronou e ambos viram uma relação construída, aos poucos, ao longo de alguns anos a cair por terra. E este fim tinha um nome um pouco complicado ainda de falar para Núria. O nome era Dânia.

Ao chegar ao restaurante, agradeceu interiormente não estar ali nem Dânia nem Ricardo. Cumprimentou toda a gente para depois ir ter com as suas amigas mais chegadas. Reparou que estavam naquele espaço, todos os alunos da sua turma de secundário menos dois: Ricardo e Dânia. Provavelmente estão juntos – pensou.
Era bom voltar aos velhos tempos, àquelas recordações tão importantes e engraçadas algumas. Na verdade tinha saudades de tudo aquilo: dos amigos, das piadas, das conversas sempre com um segundo sentido…tinha saudades de Portugal e de a vida que tinha deixado para trás.
Maior parte dos seus amigos já estavam licenciados e alguns já trabalhavam. Helena, licenciada em Bioquímica estava a trabalhar num laboratório. Débora ainda estava a disfrutar da bonita medicina e Alexandra estava no último ano de fisioterapia.
Enquanto estavam todos a tomar café, Núria não aguentou a curiosidade e caminhou até Helena que fumava afastada de todos os outros.
- Estás com uma cara muito estranha – comentou Helena.
- Preciso de fazer uma pergunta.
- Faz!
- Sabes alguma coisa do Ricardo?
- Tu não…? – Helena olhou-a com uma certa preocupação – não soubeste o que aconteceu ao Ricardo?
- Não…o que é que lhe aconteceu?
- Oh Núria… - Helena deixou o cigarro cair do chão pisando-o depois. Pegou depois nas mãos de Núria como que preparando-a para aquela notícia – o Ricardo teve um acidente há dois meses e…ele não resistiu.
- Como assim ele não resistiu?
- Ele morreu, Núria.
- E a Dânia?
- Ela foi para Lisboa este verão.
- E agora?
- E agora? – perguntou Helena confusa.
- Sim. Eu não sei o que fazer. Eu não fui ao funeral dele. Ele merecia que eu fosse, Helena! Apesar de tudo ele foi importante para mim e eu para ele.
- Pensei que tivesses sabido. Nem a tua mãe soube então, senão ela ter-te-ia dito.
- Antes de sair de casa ela falou-me dele, a minha mãe não faz a mais pequena ideia que ele…já não está cá. Não sei o que faça agora. Achas que deva ir falar com os pais dele?
- Tu davas-te bem com a mãe dele…
- E com a irmã. – acrescentou – acho que lhes devo uma explicação.
- Faz o que achares melhor. Nós sabemos que tu sempre foste a que tomaste as melhores decisões. Pedíamos-te sempre conselhos, lembraste? Principalmente sobre as relações e os namorados.
- Mas como vês…acabei por falhar nesse ramo.
- Não tiveste culpa da Dânia se ter metido na vossa relação.
- Mas tive culpa de ter falhado o funeral do meu ex-namorado e de não lhe ter dito a tempo que já o perdoei. A minha mãe tinha razão quando disse que devia ter deixado a minha vida aqui em Portugal resolvida…mas infelizmente não o fiz a tempo.
- Núria, eu tenho a certeza que ele lá em cima sabe que tu o perdoaste.
- Ele não merecia isto – atirou Núria inconformada – ele merecia mais. Estava a tirar o que sempre quis, medicina veterinária. Acho que era por isso que nos dávamos tão bem, o gosto pelos animais era mútuo.
- A vida é injusta, Núria e ambas o sabemos até bastante bem – tal como ela, Helena tinha perdido o pai ainda muito jovem – mas temos que seguir em frente. Isto não nos pode fragilizar mas sim fortalecer.
- Eu sei mas não me consigo conformar com isto.
- Tem calma – Helena abraçou Núria e mantiveram-se juntas durante algum tempo – estas coisas são difíceis mas não impossíveis de aceitar.


- Já não devias ter voltado? – inquiriu Montana assim que atendeu o telefonema de Núria.
- Isso é uma história longa mas falamos depois, sim?
- Que se passa, Nu? Estou a sentir-te em baixo.
- O meu ex-namorado morreu há um mês e eu só soube agora. Eu não sei o que fazer Montana.
- Era o Ricardo, não era? Lembro-me que me falaste dele por alto.
- Sim. E sabes? Não tenho a consciência nada tranquila porque nunca lhe disse que o tinha perdoado.
- Mas perdoaste e isso é o que interessa.
- Só de pensar que o meu primeiro grande amor já não está aqui, entre nós, dói-me tanto o coração. – fez-se silêncio durante uns segundos, Núria não sabia se devia dizer aquilo mas era o que sentia – fico a pensar se…ir para Londres foi o melhor para mim.
- Arrependeste de teres vindo para cá?
- Arrependo-me de não ter resolvido as coisas com o Ricardo antes de ir embora. Se eu não tivesse ido para aí as coisas podiam ter sido diferentes.
- Mas não terias conhecido o Eden.
- Isso ainda é outro problema… - desabafou Núria, ainda que Montana não soubesse rigorosamente nada sobre esse tal problema – o que interessa agora é que amanhã vou a casa do Ricardo. Quero falar com a mãe dele e com a pequena Madalena.
- Davas-te bem com elas?
- Bastante. A Madalena agora deve ter uns nove anos, quando eu e o Ricardo namorávamos ela era mais nova. Aquela princesa com seis anos, perguntou-nos se íamos ficar juntos para sempre, ao que o Ricardo respondeu: Mada, para sempre é pouco.
- Não o esqueceste, pois não?
- Eu achava que sim Montana. Estes anos todos que estive longe dele e estive com o Eden e… - fez uma pausa e respirou fundo – eu tenho saudades dele e ainda me custa acreditar que já não as possa matar… - fechou os olhos libertando algumas lágrimas que esperavam há muito para serem derramadas.




- Onde vais, filha?
Núria preparava-se para sair de casa quando ouviu a voz da mãe e olhou para ela.
- Eu prometo que te explico tudo quando voltar mas agora não tenho tempo.
- Já é muito que me tens a explicar.
- Eu sei mas…prometo mesmo que quando voltar te conto tudo.
- Vai lá, então. Eu ainda devo ir ao hospital hoje, tenho que me certificar que a paciente que operei ontem está bem. – Núria assentiu com a cabeça e caminhou até junto da porta até ser chamada por Júlia – Núria? Os teus irmãos e a Matilde vêm cá jantar hoje.
- Ótimo! É uma boa oportunidade para contar a decisão que tomei.
- Ate tenho medo dessa decisão!
- Não tenhas mãe, sei que vai ser o melhor para nós.


- Núria? – Paula ficou espantada assim que abriu a porta – o que fazes aqui?
- Posso…entrar?
- Sim, claro. Entra.
Paula abriu a porta por completo deixando Núria entrar. As duas sentaram-se no sofá e Núria inspirou preparando-se para falar.
- Eu não sei como é que hei de começar. – entrelaçou uma mão na outra acalmando-se – só soube ontem o que aconteceu ao Ricardo. Estas coisas costumam-se saber e é incrível que algo tão importante como isto não me tenha sido comunicado mas…não foi e lamento imenso, Paula.
- Oh querida, com isto tudo nem eu me lembrei de te avisar.
- Eu arrependo-me tanto de não ter falado com ele quando devia, eu queria tanto lhe ter dito que já o tinha perdoado e que queria voltar a ser amiga dele, eu lamento tanto tudo isto.
- Eu sei, eu sei – Paula passou a sua mão pela face de Núria, acariciando-a – mas ele lá no sítio em que está, também o sabe, eu acredito que sim.
- Núria? – as duas olharam para trás sendo surpreendidas por Madalena que corria em direção a ela. Núria perguntava-se como é que ela ainda se lembrava da ex-namorada do irmão.
- Eu deixo-vos sozinhas – disse Paula saindo da sala e deixando-as.
- Lembras-te de mim, Madalena?
- Sim. O mano falava muito de ti e tem uma foto contigo no quarto. E lembro-me de ti cá em casa quando eu era pequena.
- Oh meu amor – Núria deu um beijo na testa de Madalena – estás cada vez mais bonita.
- A mãe diz que o mano foi embora para um sítio melhor.
- Pois foi Madalena, ele é uma estrelinha no céu.
- A mãe também diz que ele agora está a olhar por cada um de nós.
- Pois está.
- Eu vou brincar, queres vir?
- Eu adorava Madalena mas tenho que ir embora.
- Antes de ires embora… - Paula entrou novamente na sala enquanto Madalena saía a correr – acho que há algo para ti.
- Como assim?
- Anda comigo – pediu Paula ao encaminhar-se para uma porta no fundo do corredor – há duas semanas comecei a arrumar o quarto do Ricardo e encontrei uma caixa, não a abri porque tem o teu nome escrito. Ele devia estar a preparar aquilo para te dar a próxima vez que cá viesses.
Abriu a porta do quarto e entrou juntamente com Núria. Sentou-se na cama depois de ir buscar uma caixa que estava em cima da secretária.
- Deixo-te sozinha, acredito que precises de estar sozinha para ver isso.
- Obrigada Paula – agradeceu.
Colocou a caixa em cima dos seus joelhos e respirou fundo antes de a abrir. Tinha algumas folhas dobradas, uma fotografia e um colar. As folhas dobradas envolviam tanto o colar como a fotografia.
Começou por ler uma folha solta que não envolvia nada. Percebeu que já tinha uns meses, pela data escrita num dos cantos. 12-09-2013

Núria,
Sabes bem que não tenho jeito com as palavras, nunca tive, é um facto.
Nunca tive a oportunidade até hoje de te explicar tudo, de te dizer a verdade. O que aconteceu com a Dânia não passou de um momento de fraqueza que me arrependo imenso. Tenho saudades tuas.
Sei que provavelmente nos teríamos separado à mesma se não tivesse acontecido aquilo porque foste para Londres, mas também sei que se tudo aquilo não se tivesse passado talvez hoje continuássemos amigos ou até algo mais.
Espero que depois de veres todo o conteúdo desta caixa percebas o quando ainda és importante para mim e o quanto me arrependo de tudo isto.
Para sempre teu,
Ricardo

Pegou no papel que tinha uma fotografia. Retirou o papel e olhou para a fotografia.



Não hesitou em ler a folha que a rodeava, antes de se desfazer em lágrimas.

Lembraste do dia em que tiramos esta fotografia? Lembraste do quanto estávamos felizes? E o quanto me fizeste rir?
Nesse dia prometi que faria as maiores parvoíces só para te ver sorrir mas infelizmente fiz a maior parvoíce de todas que te levou a chorar.
Perdoa-me, perdoa-me se ainda não o fizeste porque só com o teu perdão conseguirei ser na totalidade feliz.

Pegou por último do colar rodeado com a pequena folha de papel. Desdobrou-a e leu-a, segurando o colar com a outra mão.



Era uma das prendas que te ia dar quando fizéssemos três anos e se tivesse que lhe dar uma descrição seria a mais parva mas amorosa de sempre. «A chave do meu coração», porque só tu a tens. Porque só tu conseguiste chegar a ele. Porque foste a primeira rapariga que amei. Porque sinto a tua falta. Porque o meu desejo é que me perdoes e percebas que mesmo no fim daquela parvoíce não deixei de te amar.

Voltou a colocar tudo na caixa mas para seu espanto havia algo mais, lá bem no fundo havia algo que sem dúvida a deixou surpreendida.
Perdeu-se nos pensamentos enquanto segurava aquilo entre as suas mãos.


- Eu não vou fazer isso! – disse Núria. Ricardo continuava com o teste de gravidez na mão esperando que ela pegasse nele.
- Núria, nós precisamos de saber.
- Eu acho que prefiro não saber.
- Deixa de ser casmurra por favor! Faz esse teste de uma vez por todas, por favor.
- Porra Ricardo! Eu tenho medo, é assim tão difícil de entender isso?
- E eu estou aqui, entendes isso?
Núria acabou por se sentar na cama, estavam no quarto dele com a porta trancada, nunca se sabia quem poderia entrar.
- Eu estou aqui independentemente do resultado desse teste, certo? – agarrou as mãos da namorada e beijou-as num ato de carinho – eu amo-te.
- Eu sei, eu sei – disse nervosa. Agarrou a face dele entre as suas mãos e beijou-lhe os lábios – eu também te amo mas tenho tanto medo. Isso pode vir mudar a minha vida por completo e assusta-me tanto.
- Devíamos ter tido mais cuidado. 
- Nós tivemos todo o cuidado possível! E talvez…talvez isto seja só um susto, eu não sinto nada de diferente por isso… - ainda receosa agarrou no teste que Ricardo tinha colocado em cima da cama – eu vou fazer – avisou encaminhando-se para a casa de banho.

- Núria? Sabes há quanto tempo, estás aí dentro? – perguntou Ricardo encostado à porta da casa de banho.
- Há tempo suficiente para não ter ainda um resultado nítido!
- O que se passa?
Núria destrancou a porta e Ricardo afastou-se dando espaço para ela sair.
- É um…estranho positivo.
- Como assim um estranho positivo?
- O segundo traço não está tão escuro como o primeiro.
- Mas é positivo?
- Não sei… - respondeu completamente atrapalhada com todos os pensamentos que já lhe invadiam o pensamento.
- Calma, acho que o melhor mesmo é irmos fazer analises de sangue, assim temos certezas.
- Eu não sei…
- Núria! – Ricardo encostou a cabeça da namorada ao seu peito – acalma-te, parece que estás em estado de choque. Ouve, não é o fim do mundo.
- E se for o fim do nosso mundo?
- Não será – assegurou – o mais provável é que seja positivo mas só teremos certezas com as análises. Anda veste-te.
Ricardo pegou no casaco de Núria e ajudou-a a vesti-lo. Vestiu também o seu. Pegou rapidamente na mala da namorada e deu-lha para a mão. Entrelaçou a sua mão com a dela e os dois saíram do quarto.
- Vai correr tudo bem – assegurou-lhe – estamos juntos nisto para sempre.
- Para sempre é pouco – disse Núria relembrando as palavras que Ricardo havia dito uns dias antes. Ele sorriu-lhe. Mesmo insegura e aterrorizada, Núria continuava com uma certeza: o amor deles era forte o suficiente para passar por tudo aquilo.

Ia passando aquele teste de gravidez de uma mão para a outra. Relembrava aqueles momentos e arrependia-se agora de todo aquele amor não ter durado mais.
As análises tinham sido claras naquele dia. Núria não estava grávida, era apenas um falso positivo. Soube depois que alguns medicamentos influenciavam esses testes de farmácia e os anti histamínicos que andava a tomar na altura eram um deles.
Levantou-se ainda com a caixa na mão e seguiu até à sala.
- Já vais embora, Núria?
- Sim, obrigada por tudo, Paula.
- Espera, deixa-me ir buscar-te uma coisa. – Núria ficou estática, tinha medo do que mais pode-se vir daquele quarto que pertencesse a Ricardo ou até mesmo que lhes pertencesse a eles – o Ricardo às vezes falava-me de vocês, falava-me muito de ti e da falta de coragem que tinha para falar contigo quando vinhas cá. Ele não teve mais ninguém além de ti – Núria baixou a sua cabeça olhando o chão – Núria, eu não te estou a dizer isto para te sentires mal. Estou a dizer-to porque mereces saber, porque eu sei que lá no fundo ele sabia que o teu coração já estava em paz com o dele. Este livro – Paula levantou a mão mostrando o livro que segurava – era o preferido do Ricardo, ele escrevia nele e leu-o várias vezes. Acho que é dos seus maiores tesouros e quero que fiques com ele.
- Eu não sei se posso aceitar algo que era tão precioso para o Ricardo.
- Podes! Podes e vais aceitar, Núria. Era algo que eu acredito que ele te daria.
- Obrigada – Núria esticou a mão recebendo o livro. Lembrava-se daquela obra: «Uma escolha por amor», de Nicholas Sparks. Ricardo tinha-lhe recomendado aquele livro vezes sem conta, ainda quando namoravam, mas Núria nunca se tinha dedicado a ele.
- E ouve, foi o Ricardo que errou contigo. Não te sintas culpada do que nunca lhe chegaste a dizer. Tenho a certeza que agora, lá onde ele está, sabe tudo isso que sentes.
- Obrigada pelas palavras, Paula.
- De nada. Sempre que quiseres, esta porta estará aberta para te receber.
Núria agradeceu mais uma vez, despediu-se e saiu para o exterior daquela casa. Guardou o livro na sua mala e dirigiu-se ao carro.
Colocou a caixa e a sua mala sobre o banco de pendura e encostou-se no seu.
Ainda lhe parecia tudo surreal. Naquele momento não sabia o que pensar nem sabia o que fazer. Por algum motivo relembrou uma conversa que tinha tido com Siena quando esta veio a Portugal passar a passagem de ano.

- Sei que nunca to disse – começou Siena por falar – e espero não te ofender com o que vou dizer mas…
- Diz de uma vez, Siena!
- O João é muito sexy, que idade é que tem?
- Um ano mais velho que tu.
- Posso namorar com o teu irmão?
- Não era isso que tu ias dizer, pois não?
- Bem, pondo o facto de o teu irmão ser sexy à parte, o que te quero dizer é sobre o Eden.
- Sim…
- Não quero que te sintas ofendida, é só que…acho que mereces alguém diferente. És uma rapariga cheia de vida, animada, querida. És nova! Tens uma vida pela frente e o Eden já tem a vida organizada. Já tem filhos, tem uma ex-mulher e sendo sincera por mais que se esforce nunca vai conseguir dar-te uma vida como mereces.
- Entendo o que queres dizer, a sério, mas eu gosto muito dele.
- Eu sei que sim! E isto é só uma opinião. Ele trata-te muito bem e nós já o vimos mas…bem esquece, o que interessa aqui é que sejas feliz.
- Queres o número do meu irmão? – perguntou Núria mudando de assunto e animando aquela conversa.
- Oh…dás-me? – perguntou Siena espantada.
- Claro mas alguma coisa encontraste-o num papel qualquer no chão.
- Sim, sim. Fica descansada.

Libertou-se de todos aqueles pensamentos e fechou os olhos por momentos. Tinha que ir para casa. Iria ajudar a sua mão a preparar o jantar. Hoje iria ser o dia em que ia comunicar a sua mais recente decisão.


- Já não devias estar em Londres? – perguntou Tiago sentando-se junto de Núria.
- Já estão todos, não estão? – perguntou ela.
- Sim – respondeu Júlia.
- João se fizeres o favor de largar o telemóvel! – Núria retirou-lhe o telemóvel da mão e colocou-o em cima da mesa – nem pareces mais velho que eu!
- As raparigas são sempre mais evoluídas do que os rapazes, já devias saber isso. – disse Júlia na brincadeira.
- Obrigada, mãe. – ironizou João.
- Posso falar? – todos assentiram com a cabeça e Núria começou – tive uma proposta antes de vir para cá e com tudo o que se tem passado nos últimos tempos eu decidi aceitar.
- E qual é a proposta? – perguntou Tiago curioso.
- Dois meses em Manchester. É quase como um estágio, se me der bem lá, a Elisabeth diz que tenho grandes possibilidades de ficar nesse centro veterinário.
- Precisam de uma enfermeira veterinária?
- Sim – respondeu Núria – quando voltar para Inglaterra, devo ficar em Londres uns dias a preparar as coisas para depois ir para Manchester.
- Se é o que queres, tens todo o meu apoio. – disse Júlia sorrindo.
- Eu quero que venhas comigo, mãe. – Júlia olhou-a surpreendida e Núria continuou – não tiras férias do hospital como deve ser, há anos! Não te peço muito, apenas um mês comigo em Manchester, seria bom para mim e para ti.
- Eu não sei… - Júlia confusa olhava a filha – eu adorava estar um mês contigo mas não sei…
- Por mim, mãe. Peço-te isto por mim.
- Eu prometo que vou pensar nisso.
- Eu acho que era ótimo para ti, mãe. – comentou Tiago.
- Sim, ia-te fazer bem estares longe do hospital por uns tempos. – acrescentou João, retirando depois o telemóvel de cima da mesa.
- Pronto e foi esta a minha decisão, quero a vossa ajuda para convencer a minha querida mãe a entrar nesta aventura – Tiago sorriu-lhe cúmplice e Matilde também – viciado! – atirou Núria retirando novamente o telemóvel a João e levando os restantes a rir.




- Não acredito que vou perder a minha companheira de jogos do Chelsea! – Montana abraçou Núria enquanto reclamava.
- Quando fores a Manchester encontramo-nos.
- Eu não quero que te vás embora!
- Mas eu volto, Montana.
- Também disseste que voltavas das férias de Natal e olha…
- E voltei! Mas vou embora outra vez. Isto vai fazer-me bem, preciso de pôr as ideias em ordem.
- Ainda não paraste de pensar no Ricardo, pois não?
- É impossível…há coisas que não fazem sentido, aquela caixa…é tudo muito estranho.
- Ligas-me, certo? E ai de ti que te esqueças de mim!
- Isso também é impossível…sabes bem.
- Bem, já falaste com o Eden?
- Hum, não.
- Não? – perguntou Montana perplexa.
- Não. A minha cabeça tem estado invadida de todo o tempo de pensamentos. Antes de me ir embora ainda tenho muito a fazer aqui em Londres e a próxima paragem é mesmo a casa da Vanessa e do Willian.
- E o Eden?
- Depois, talvez depois.
- Talvez?
- Isto é complicado Montana, mais do que parece. Agora preciso da Vanessa e de me despedir dela e das meninas. Vou ter saudades disto, apesar de serem só dois meses.
- E eu vou ter saudades tuas! Com quem é que vou falar quando me sentir solitária?
- Comigo! Estamos no século XXI, Montana! Há telemóveis e computadores.
- Mas mesmo assim custa-me ter-te tão longe.
Montana voltou a abraçar Núria, desta vez durante mais tempo e num abraço mais apertado.

Como custavam aquelas despedidas! Núria nem queria acreditar que ainda tinha mais despedidas pela frente. Vanessa iria ajudá-la, iria dar-lhe os conselhos necessários. Falar ou não falar com Oscar? E como explicar tudo a Eden? O passado tinha-lhe batido à porta e não a podia ter deixado mais confusa. 



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Olá!
Espero os vossos opiniões quanto a este passado da Núria. O que acharam? E como acham que vão correr estas despedidas?
Boas férias!
Beijinhos,
Mahina ღ

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Capitulo 6

- O que é que tens? – Montana fazia-lhe aquela pergunta perante o sorriso contagiante que Núria apresentava.
- I don’t know…maybe…the love!
Montana gargalhou pela tentativa (falhada) de Núria de falar com sotaque londrino.
- Estás alegre, gosto disso! Já resolveste as coisas com o Eden, certo?
- Não sei – na verdade não sabia mesmo, não tinham resolvido nada em concreto. Tinham decidido dar uma oportunidade ao futuro. Ao futuro promissor que os esperava.
- Não sabes?
- Não…estamos bem, acho eu.
- Nota-se! Já não te via a sorrir assim há muito tempo.
- Pois é – pena a razão do seu sorriso não ser Eden…ceder a Oscar não tinha explicação…apenas acontecia. Mas havia prometido a si mesma que iria deixar de se enganar, e as férias de Natal iriam servir para pôr as ideias todos no lugar.
Naquela noite na discoteca nada se tinha passado mas Oscar mostrou interesse em que ele e Núria ficassem juntos. Uns dias mais tarde tudo aconteceu, fugiu de Oscar num dia para ceder no outro.
- Quando é que vais para Portugal?
- Amanhã de manhã. – respondeu com um sorriso enorme, tinha tantas saudades de casa.
- Vou ter saudades tuas. – Montana abraçou-se a Núria, tinham criado uma relação forte.
- Eu também mas são só umas semanas, daqui a pouco já estou de volta.
Ouviram a porta a abrir e Andre a entrar por ela. Montana tinha-se sentado enquanto Núria tinha ficado em pé encostada a uma das cadeiras da sala.
- O que é que esta veterinária está aqui a fazer? – brincou Andre no fim de beijar Montana.
- A tua namorada diz que gosta mais de mim do que de ti e está a pensar ficar comigo e mandar-te embora.
- Como se eu acredita-se nisso! – Andre cumprimentou Núria sentando-se depois junta à namorada.
- A Nu vai embora – esclareceu Montana.
- Vais quando?
- Amanhã.
- Ninguém vai sentir saudades tuas. – brincou Andre mais uma vez.
- Oh, muito obrigada Andre. Era mesmo isso que eu desejava ouvir. – foi até Montana dando-lhe um beijo na bochecha para depois fazer o mesmo a Andre – vou andando que ainda tenho que me despedir do Eden e tal.
- Ele tinha ido buscar o Yannis a casa da Natasha. – informou Andre, arrependendo-se depois de ter visto a cara com que Núria havia ficado.
- Se calhar ainda fica por lá. – disse Núria com uma sinceridade imensa. Por mais que lhe custasse admitir Eden não tinha esquecido Natasha e ela sabia-o. Mas também sabia que Eden sentia um enorme carinho por ela e dava-lhe tudo, amor, segurança, carinho…mesmo que não a amasse, ele dava-lhe amor. – portem-se bem, não façam asneiras na minha ausência. E Monti, toma conta do Andre porque depois se ele se magoar não estou cá eu para tratar dele.
- Tão querida.
- Eu sei, eu sei – Núria sorria enquanto falava – adeus – disse enquanto se encaminhava para a porta.
- Boa viagem! – disseram os dois ao mesmo tempo. Sorriram-lhe os dois e Núria saiu ainda com o seu sorriso vivo presente.


Ainda com dificuldades em escolher a roupa, Núria ia fazendo a mala enquanto ouvia a chuva no exterior. Não tinha ido ter com Eden, achou melhor fazê-lo mais para a noite. A campainha tocou e como nem Eva nem Siena se encontravam em casa, teve que ser ela a sair do seu quarto e ir abrir a porta. Não se preocupou em ver quem era, apenas abriu a porta e foi surpreendida com Oscar do outro lado.
- Cê se ia embora e nem dizia nada! – atirou agarrando a sua cintura logo em seguida.
Todas as tentativas de se afastar de Oscar haviam falhado, houve uma conversa, aliás até mais que uma, houve uma carta…mas tudo tinha falhado. Sem se aperceber Oscar conseguia chegar sempre ao seu coração, seduzi-la com um beijo ou até um toque. E por mais que tentasse refazer a sua vida com Eden, tudo se estava a tornar impossível.
Oscar beijou-a fazendo com que Núria correspondesse totalmente. Fechou a porta ainda com os seus lábios presos nos dele.
- Não devias estar aqui!
- E você não devia ir embora.
- Tenho de ir…mas volto para continuar a estragar o teu casamento com a Ludmila! – disse aquilo em forma de brincadeira para depois falar mais sério – Sim! Porque é isso que eu estou a fazer! A estragar o teu casamento!
- E…eu estou estragando a sua relação com o Hazard.
- Sim, por essa ordem de ideias sim. – Núria fez os seus dedos deslizarem pela face de Oscar – e o que estamos a fazer é errado… - disse cabisbaixo.
Por mais alegria que Oscar lhe pudesse dar, Núria tinha sempre os seus momentos de fraqueza onde caía na realidade e percebia que tudo aquilo era errado. Estavam a enganar os seus companheiros mas…estar com Oscar era tão bom, tal como estar com Eden também era mas com as suas diferenças.
- Vamos falar a sério? – Núria afastou Oscar de si e olhou-o séria. Foi em direção ao seu quarto, Oscar seguia-a em passo lento – senta-te – pediu sentando-se também ela na borda da cama – ainda hoje não entendo como é que esta nossa…coisa começou – sim, coisa parecia-lhe a palavra ideal. Não eram amigos mas também não eram namorados – eu gosto muito de ti, e tu sabes isso – deixou os seus dedos encontrarem-se com o rosto de Oscar, acariciando-o de seguida – mas o que nós temos é complicado. Inexplicavelmente bom e agradável mas continua a ser complicado.
Oscar aproximou-se de Núria e beijou os seus lábios como só ele o fazia, com delicadeza, com paixão e com um pouco de provocação.
- Não me seduzas! – Núria terminou aquele beijo repreendendo-o depois com o olhar. Os dois riram-se em seguida – deixa-me continuar.
- Espere. – Oscar pegou nas pernas de Núria e colocou-as em cima das dele. Pegou nas mãos dela e entrelaçou-as com as dele – já pode falar – falou sorrindo.
- Isso é sacanagem! – brincou Núria utilizando a linguagem dele. Assim era mais complicado dizer o que necessitava de ser dito, já que agora estavam em completo contacto físico – ouve, eu quero que estes dias longe daqui me ajudem a perceber toda esta confusão que vai na minha cabeça. Preciso de decidir o que quero para a minha vida e tu também o precisas de fazer, Oscar, principalmente agora que vais ser pai.
- Você tem razão…como sempre. – Núria encostou a sua cabeça ao peito de Oscar para depois ele a acolher nos seus braços – falando português de Portugal, cê é muito importante para mim.
- Tu, Oscar, é tu.
- Então…Tu é…não, não dá certo assim não.
- És – falou sorrindo.
- Tu és muito importante para mim.
- Sim, é isso. E tu também és muito importante para mim.
- Dê beijinho à sua mãe.
- Dou?
- Sim, cê diz que eu acho a filha dela muito bonita e gosto muito dela.
- E mais?
- Também pode dizer que o genro dela é muito bonito.
- Convencido!
- Vou sentir sua falta – falou encostando os seus lábios à bochecha de Núria.




- Tinha tantas mas tantas saudades tuas! – Júlia recebeu a filha num enorme abraço. Algumas lágrimas escaparam pelos seus olhos, não de tristeza mas sim de toda aquela emoção que ia no seu coração – estás tão diferente!
- Mãe, eu estou igual.
- Estás diferente, eu sei o que digo! – Núria colocou as suas malas no quarto enquanto a sua mãe a observava – estás cansada?
- Um pouco – acabou por encostá-las a um canto e pegar na sua mala – preciso de ir fazer uma coisa.
- Mas…vens almoçar certo?
- Claro. – Núria aproximou-se da mãe dando-lhe um breve beijo na bochecha saindo depois de casa.
Sabia bem para onde se ia dirigir a seguir. Apesar de não ser um sítio agradável, era onde ela precisava de ir.
Quando ao longe viu o enorme portão que dava para aquele amplo cemitério deteve-se. Perguntou-se se iria ser capaz de entrar ali.
O céu estava a ficar escuro, iria chover. Tinha que ser rápida para não se molhar já que não tinha trazido chapéu-de-chuva.
Acelerou o passo, entrou naquele cemitério e foi ao encontro do que a moveu até ali. Baixou o seu corpo e passou os dedos sobre o mármore gelado. Sentiu uma corrente de ar que a arrepiou toda para depois do nada o seu coração ficar quente. Sentiu-se aconchegada naquele momento.
- Isto é tão complicado – falou num tom de voz baixíssimo, a intenção era não ser ouvida por outras pessoas mas sim apenas por uma: o seu pai - a mãe vai-me pedir para ficar aqui com ela em Portugal. Perguntou-me se serei capaz de deixar a vida, que me custou tanto construir em Londres durante estes anos para voltar para aqui – deixou os seus dedos escorregarem pelo mármore que começava a ficar húmido. Já chovia, em pouca quantidade mas já se sentia – É-me tão difícil falar sobre ti. Talvez pelas recordações que tenho tuas, além das fotografias, serem tão poucas. Não sei se sou a única a partilhar este sentimento estranho de: amar alguém sem sequer se lembrar da cara desse alguém – apertou o casaco, o frio era mais intenso mas isso não movia Núria dali – Eu amo-te, incrivelmente eu amo-te. Sem me lembrar da tua voz, do teu rosto, de uma palavra carinhosa que me disseste…mas não interessa. Há fotos para me lembrar de como eras, há vídeos gravados no Natal para me recordar da tua voz, vídeos que nunca me atrevi a ver, eu tenho medo... – retirou os seus dedos daquela pedra fria e olhou em volta, aquele lugar estava vazio – E eu tenho a certeza que me disseste várias palavras carinhosas, tenho a certeza que também me amavas a mim, ao João, ao Tiago e à mãe claro. Podia ainda perguntar-me o porquê de tudo isto mas aprendi a não o fazer. Só consigo falar disto com o Tiago, talvez por ser o mais velho, e ele sempre me disse para não perguntar o porquê de tudo isto à vida mas sim, habituar-me a viver com a falta de respostas pela parte dela. E aqui estou eu, ainda à espera que a vida me dê respostas ou não… O Tiago também me disse que se te tiver presente no meu coração tudo correrá bem e até tem corrido. – começou a chover intensamente e Núria só teve tempo de se levantar e sussurrar – eu amo-te pai – começou a correr, sabia que iria sair dali encharcada.




A véspera de Natal chegou rápido. Daqui a uns dias Núria teria que voltar para Londres e mal tinha dado por eles passarem.
No fim de jantarem e arrumarem a casa foram todos para a sala. Tinha-se juntado pouca gente em cada de Núria. A sua mãe e os seus irmão claro que ali estavam, mais a suas duas avós e a única irmã do seu pai com o marido e os deus dois filhos mais novos que ela. Clara tinha 16 anos e Gonçalo 18 anos.
A conversa já ia longa entre eles. Falavam de Matilde, da namorada de Tiago. Núria estava agarrada a Tiago enquanto este lhe acariciava o cabelo.
- João, só te falta a ti arranjar uma namorada – disse Núria com uma voz doce.
- Podemos sempre arranjar um catálogo para ele escolher a tal – sugeriu o Tiago.
- Isso é boa ideia! – Núria falou mais animada.
- Olha, tu nem precisaste de catálogo não é? – perguntou João provocando a irmã.
- João… – sussurrou ela percebendo a onde queria ele chegar.
- Diga, Núria Hazard…
- João! – Núria repreendendo rindo ainda um pouco, tinha ficado envergonhada com o que João acabara de anunciar indiretamente.
- Hazard…? – Gonçalo falou olhando a prima – Eden Hazard?
- Sim, a minha irmã namora com o Eden Hazard mas gosta de esconder – atirou João.
- Eu não… - Núria iria contrariar mas nem sabia bem o que fazer. Contrariar ou não?
- O Hazard cuida bem da minha irmã – Tiago abraçou Núria aconchegando-a para si – eu sei que sim.


- Eu tenho saudades tuas – Eden falou calmamente enquanto ouvi do outro lado a respiração calma de Núria.
- Eu também. És tema de conversa cá em casa. – informou no fim de se ter debatido consigo própria para decidir se dizia ou não aquilo.
- A sério?
- Sim. – sentiu-se na necessidade de dizer algo mais – o Tiago disse que tu cuidas bem de mim.
- E é mentira?
- Não. É bem verdade. – respirou fundo, tinha que dizer o que sentia – já passamos por algumas coisas juntos Eden e…eu sinto que me fazes bem de verdade.
- Eu gosto tanto de ti Núria.
- Eu também, acredita que eu também.
- Eu adoro quando falo contigo, preciso de ti aqui.
- Já falta pouco.
- Eu sei meu anjo mas custa-me demasiado estar aqui sem ti.
- E planos, para o novo ano?
- Dar-mos uma nova vida à nossa relação, ser muito feliz no futebol e dar a felicidade aos meus filhos que eles merecem.
- Já te disse que és um pai exemplar?
- Não!
- Disse sim! – atirou Núria entre o riso dos dois.
- Não disseste não…
- És um pai exemplar, Eden. E o Yannis e o Léo têm muita sorte em serem teus filhos.
- Obrigada, Nu. Eles ajudaram-me a crescer, a ser o homem que sou hoje.
- Eu sei, e isso é realmente fantástico.
- Eu…tenho uma prenda especial para ti quando voltares.
- Acabaste de me deixar curiosa e com imensa vontade de voltar para Londres.
- É isso que se quer!
- Dentro de alguns dias eu estou aí, já te disse.
- Eu fico à espera ansiosamente do dia em que vais voltar. Vou ter de ir – informou Eden.
- Vai sim, espero que o jogo hoje te corra bem. Boa sorte e beijinhos.
- Obrigada, meu anjo. Adoro-te.
- Eu também te adoro. – falou, desligando depois.

Olhou à sua volta. Aconchegou-se na sua manta no sofá e ficou a olhar o nada. Tinha tomado uma decisão sem se ter sequer apercebido. Oscar teria que passar a ser só amigo. Talvez o novo ano também trouxesse a Oscar uma nova visão das coisas, ia ter um filho e Núria não podia nem devia pertencer à vida de dele. Tinha um lugar na vida de Eden, apesar de não se sentir segura quanto a um possível namoro. Ele ainda não tinha tocado na palavra-chave: namoro. Será que para ele já o tinham voltado a ser? Núria não tinha tantas certezas que algum dia pudessem voltar ao que eram antes. Ainda que há uns dias quisesse voltar a ser namorada de Eden, neste momento já não tinha tantas certezas. Havia Natasha. Havia Oscar. A favor deles...talvez não houvesse nada.





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Boa noite!
Mais um capitulo. Vou apostar dizer que muitas mudanças vos esperam nesta história.
Espero as vossas opiniões!
Beijinhos,
Mahina