sábado, 27 de setembro de 2014

Capitulo 4

Dez dias haviam passado desde Núria saíra de casa de Eden.
Voltar a viver com as suas amigas tinha devolvido a Núria, aquela liberdade que em casa de Eden não tinha. Quando estava em casa dele, tinha de pensar que tinha ele, que tinha uma rotina e por vezes os filhos dele. Isso agradava-lhe mas voltar a ser apenas e só ela, agradava-lhe também mesmo que dividisse casa com Eva e Siena.
Contudo, mantinha, também, o contacto com Vanessa. As duas já tinham criado uma relação bastante cúmplice e Núria sabe que pode confiar nela. E os hábitos não se perdiam: as duas encontravam-se regularmente, falavam todos os dias e quando precisavam de desabafar também o faziam.
- Núria, vá lá! É por mim…não por eles.
- Eu sei…mas eles vão lá estar – Núria e Vanessa falavam ao telemóvel, já que Vanessa queria uma companhia para ir ao jogo do Chelsea.
- Mas Núria…lá na bancada estarei apenas eu, a Montana e as minhas pequeninas.
- A Manuella e a Valentina vão lá estar? – Núria adora crianças e as filhas de Vanessa e Willian são a sua perdição.
- Vão sim! Venha, por favor, Núria. É sábado, cê vai ficar encafuada em casa?
- Era essa a ideia…
- Não é mais! Te pego às 11, cê almoça connosco e depois vai ao game. Beijoca fofa.
- Vanessa… - Núria ia, ainda, ripostar mas Vanessa não lhe deu oportunidade, desligando a chamada.
E pronto…ela iria ao jogo do Chelsea. Iria vê-los aos dois, estar perto deles…dez dias depois, dez dias sem os ver, dez dias sem falar com eles.
Como combinado, às onze horas Vanessa estava a tocar à campainha de casa de Núria. Assim que viu que era a amiga, pegou na mala e desceu até a encontrar encostada à porta do prédio.
- Bom dia! – Núria percebia que Vanessa estava contente, feliz talvez por a ter com ela. Deu-lhe um abraço, seguido de um beijo na bochecha.
- Fica sabendo que só vou porque…até gosto de ti.
- Cê quer é ver seus gatões jogando!
- Vanessa!
- Me desculpa – Vanessa riu-se, fazendo com que Núria se risse também.
As duas foram até ao carro e Vanessa conduziu até sua casa.

- Eu quero ir embora! – Núria “reclamava” quando chegavam ao estádio.
- Poque? – Valentina, uma das gémeas de Vanessa, era quem fazia a pergunta a Núria. Agora safa-te, responde à menina!
- Dói-me a cabeça, Val…mas já passa.
- Mas num vai emboa? – questionou Manuella. As duas quiseram ter Núria sentada ao meio delas e já que tinham saudades dela.
- Não, eu fico princesinha – Núria depositou um beijo na testa de Manuella e, de seguida, na de Valentina (já sabia que poderia haver ali uma cena de ciúmes).
- Olha, vem lá a Montana – afirmou Vanessa, fazendo sinal com a mão na direcção dela.
Montana é namorada de Andre Schürrle, uma rapariga encantadora, com uns olhos deslumbrantes e a perdição de Andre. Quando os dois estão juntos, todos os que estão à sua volta ficam completamente atordoados com o amor que emana deles.
- Olá meninas! – como sempre, trazia um sorriso contagiante nos lábios e, depois de cumprimentar todas, sentou-se ao lado de Vanessa – seja bem aparecida menina Núria! Como é que andas? – o facto de Montana ser inglesa, fez com que Núria e Vanessa passassem a usar a língua inglesa para comunicarem com ela.
- Bem…muito trabalho, descanso algum…
- E…com o Eden? – Montana não sabia da existência de Oscar. Só Vanessa que olhou para Núria.
- Não sei…ainda é cedo.
- O Andre diz que ele sente a tua falta… - Núria percebia que Montana lhe estava a falar com alguma tristeza – Até eu vejo isso…quando estamos com ele. Eu não sei o que se passou em concreto entre vocês…mas nota-se que ele esta arrependido.
- As coisas vão melhorar, Montana…mas temos de ir com calma – Montana sorriu-lhe e, de forma instintiva, Núria sorriu-lhe também.
Foram interrompidas pela entrada dos jogadores em campo e os olhos de Núria perderam-se. O primeiro que encontrou foi Oscar…como estava bonito, estava realmente bonito. Ou seriam as saudades?
Desprendeu o seu olhar de Oscar procurando Eden…encontrou-o uns metros à frente. Via alguma tristeza nele, mas viu um sorriso quando a bola lhe tocou nos pés. Eden estava concentrado e Núria também…nele, no seu corpo, nas saudades que tinha de adormecer com ele. Mas voltou a olhar Oscar.
E aí apareciam as saudades de ser tocada, de ser beijada por alguém que ansiava todos os dias estar uns minutos com ela. Sentia a falta de ter Oscar como um escape ao seu dia-a-dia, tinha saudades do bem que ele lhe fazia.
Sentiu-se a sufocar e os seus olhos pareciam arder. Iria ela chorar? Não! Núria não pode chorar em frente delas, em frente de Vanessa, Montana e das meninas…e não pode chorar…simplesmente não pode.

O fim do jogo foi um “alivio” para Núria.
Ver Eden e Oscar a jogarem um com o outro, a celebrarem os golos agarrados e contentes. Eden não sabia que “o outro” de Núria era Oscar…mas Oscar sabe perfeitamente que era Eden o namorado de Núria, mas mesmo assim era como se nada estivesse a interferir com eles.
Núria preferiu não esperar por Willian e Andre com Vanessa e Montana. Sabia que os poderia encontrar e isso…ela não estaria preparada para isso, ponto.
Caminhava pelos corredores do estádio, quando viu Oscar. Ele estava a uns metros de distâncias mas ambos se viram. Núria virou-se e caminhou na direcção contrária à de Oscar, que começou a correr na direcção de Núria.
- Nuri, espere! – Oscar queria falar com ela, tocá-la, beijá-la…Oscar tinha saudades dela. Alcançou-a em pouco tempo, encostando-a à parede – Não fuja de mim – estarem ali, em contacto, fez com que uma lágrima escorre-se pela face de Núria. Oscar caminhou com ela até se enfiarem num buraco entre duas paredes, que os escondia.
- Não faças isto, Oscar.
- Eu sinto a sua falta… - Oscar percorreu o braço de Núria com a sua mão, chegando à mão dela…e aí entrelaçou as duas, ficando a olhar para Núria – Cê não tem saudades minhas?
- Tenho…mas não podemos. Há o Eden, há a Ludmila e o teu filho.
- Mas…a gente nunca se importou com isso. Era nossa adolescência perdida…
- A adolescência já passou.
- Eu quero tanto que ela volte…consigo. Venha…venha no nosso apartamento essa noite.
- Oscar…
- Não responda agora…se você não aparecer…eu terei minha resposta – Oscar deu-lhe um beijo completamente inesperado mas que despertou Núria. Como tinha saudades daqueles lábios…

Será que ele ainda lá está? São dez da noite… será que ele ainda está à tua espera, Núria? Núria estava sentada na sua cama, olhando o relógio em cima da mesa-de-cabeceira. Ir ou não ir ter com Oscar? A vontade…é mais que muita!
Tinha de ir, tinha que arriscar, precisava de carinho…do carinho dele. Pegou na sua male e saiu do quarto.
- Onde vais cupcake? – perguntou Eva quando viu Núria a sair de casa apressada.
- Vou…eu vou – as palavras pareciam ter-lhe fugido – eu já venho meninas.
- É suposto ficarmos preocupadas se não regressares? – Siena fazia-lhe aquela pergunta com um sorriso na cara.
- Acho que não – afinal iria estar com Oscar e muito provavelmente não iria voltar aquela casa hoje. Sorriu e saiu de casa rumando até ao apartamento.
As chaves…onde havia posto Núria as chaves? Não as encontrava na mala…tinha arrumado aquelas malditas chaves numa gaveta do seu quarto, afinal há uns dias supostamente seria o fim deles.
Oscar estaria ali e apenas teria que bater à porta. Assim o fez esperando que aquela porta se abrisse mas não havia maneira de isso acontecer. Começava a ficar nervosa. Tentou de novo e passado uns segundos viu a porta a abrir-se e pôde mirar Oscar, o seu sorriso, a sua cara de menino. Pegou na mão de Núria e rapidamente a puxou para dentro do apartamento fechando a porta.
- Hoje cê é minha – foram as únicas palavras que Núria ouviu da boca de Oscar antes de este a beijar.
As saudades eram imensas. A vontade de serem um do outro ainda era mais. Oscar atirou a mala dela para o sofá, agarrando-lhe depois na mão levando-a para o quarto.
- Tu és doido! – falou Núria retirando-lhe a camisola – és completamente doido!
Oscar percorreu todo o corpo de Núria para em seguida também lhe retirar a camisola. Mas…Núria de um momento para o outro tinha ficado distante. Seria isto o correto? É certo que ela e Eden tinham dado um tempo mas…isto não era o correto de todo.
- Eu não sei se… - afastou-se de Oscar e falou com calma – Oscar nós…
- Não, não diga nada. – aproximou-se dela e colocou uma das suas mãos no fundo nas costas dela e a outra na sua face. – apenas nós , não há Lu aqui – fez os seus dedos percorrerem o tronco de Núria – não há Eden, não – fez a  sua outra mão descer parando numa das nádegas de Núria – só nós.
Como era possível resistir a Oscar? Ao seu corpo, às suas palavras, ao seu toque ou até mesmo à sua voz. A voz de Oscar…voz de menino com um toque de sedução.
Oscar colocou as mãos no fundo das costas despidas dela, sabia como e o que fazer com Núria na sua posse.

Há que tomar decisões na vida e enfrentar a realidade, viver agarrada a algo falso é o pior erro que se pode cometer. Há decisões mais difíceis de tomar que outras mas no fundo as decisões são corretas se nos deixam felizes ou se deixam os outros felizes?
Núria sentia-se bem com a vida que levava mas não passava de uma vida falsa, dizendo assim. Não vivia para um homem, vivia para dois e não só um rapaz a punha com um sorriso, eram dois que o conseguiam fazer mas nada dura para sempre e aquela vida dupla já tinha durado de mais, agora era passado.
A noite que tinha passado com Oscar fê-la pensar em tudo e chegou a uma conclusão na verdade. Por mais que Oscar fosse o seu amor mais louco e descontraído, Eden era quem lhe dava a estabilidade que precisava na sua vida. Além disso Oscar estava agora a construir uma família com a sua mulher e o seu futuro filho. Antes de ter saído de junto de Oscar tinha-lhe deixado uma carta, foi a forma mais fácil que arranjou para se despedir dele.

Hoje não trabalhava. Levantou-se cedo de manhã e encontrou Eva e Siena sentadas à mesa a tomar o pequeno-almoço.
- Bom dia – saudou-as com um sorriso no rosto. Estava ela feliz? Finalmente tinha tomado uma decisão na vida e sentia-se bem co ela.
- Bom dia cupcake – disseram as duas ao mesmo tempo. Riram-se em seguida.
- Já não casamos hoje. – atirou Siena rindo.
- Nem morremos amanhã. – completou Eva – aprendemos coisas engraçadas contigo! – disse a Núria.
- Aprendem sim. Já se decidiram a passar uns dias comigo em Portugal na época do Natal?
- Arranjamos namorado em Portugal?
- Não sei, isso já não sei. – respondeu Núria rindo – vou sair. – avisou pegando numa peça de fruta e indo em direção à porta.
- Porta-te bem. – disse Siena sorrindo.
Saiu do apartamento, desceu o elevador indo em direção ao seu carro. O seu telemóvel tocou e rápido parou na rua atendendo-o.
- Monti! – saudou Núria atendendo o telemóvel.
- Estás feliz! Como é que é possível? – perguntou, brincando um pouco com a situação levando Núria a rir.
- Vou ter com o Eden, acho eu.
- Achas?
- Acho. Isto pode não correr bem.
- Ou pode correr bem. E vai correr, aposto. Vamos ver, eu liguei-te porque um passarinho disse-me que não trabalhas hoje e eu pensei que podias vir cá, que achas?
- Acho bem, independentemente de como a minha conversa correr com o Eden, eu passo por aí.
- Até logo, beijito.
- Beijinho.

O que fazer? Numa das suas mãos Núria tinha as chaves de casa de Eden e pensava no que seria melhor. Bater à porta ou entrar? Definitivamente bater à porta era o mais adequado, tinham dado um tempo já não eram namorados.
Bateu à porta enquanto pensava no que lhe ia dizer. Não tinha um discurso programado, na verdade não fazia a mínima ideia do que lhe ia dizer. Tinha a certeza que as palavras apareceriam no momento certo…ou não.
Gelou quando foi Natasha que lhe abriu a porta daquela casa. Olhou-a tentando adivinhar o que ela fazia ali. A porta estava aberta de modo a que conseguisse ter uma visão plena da sala. Yannis estava sentado no chão com os seus brinquedos e Eden brincava com Léo que estava nos seus braços. A família perfeita – pensou.
- Eden… - pronunciou Natasha chamando a atenção do rapaz. Fez um gesto com a mão apontando para a porta – a tua…amiga – disse com uma certa arrogância.
Eden levantou-se e veio até Núria ainda com Léo nos braços. Antes que Eden a pudesse alcáçar, Yannis correu até à porta agarrando as pernas de Núria e olhando-a.
- Nu – disse Yannis animado – tenho saudades tuas.
Núria baixou-se ficando ao nível do menina pegou-lhe ao colo e Yannis beijou a sua bochecha com um sorriso na cara.
- Como estás? – perguntou-lhe o menino.
- Bem, eu estou sempre bem.
- Núria… - Eden tomou a palavra colocando-se à frente dela – estás…aqui?
- Sim, mas…é melhor eu ir-me embora.
- Não! – ele colocou uma das suas mãos juntos às dela que seguravam Yannis – não vás, fica.
- Falamos depois. É…melhor.
Agora Núria tinha perdido as palavras todas, nunca imaginara que Natasha estivesse ali, não em casa de Eden.
Tentava movimentar-se, precisava de sair dali mas o pequeno movimento que Léo fez na sua direção deixou-a perplexa. Com a sua pequena mão, Léo tentava alcançar Núria. Num movimento quase involuntário ela levou uma das suas mãos até junto da do pequeno. Léo agarrou um dos dedos de Núria com uma força imensa gargalhando depois mostrando a sua felicidade. Ela sorriu ternurenta, também o filho mais novo de Eden se tinha rendido a ela.
Deu um último beijo a Yannis pousando-o no chão de seguida. Chegou mais perto de Eden, precisava daquela proximidade.
- Eu posso explicar o que é que ela faz aqui… - falou Eden tentando remediar a situação.
- Deixa estar – pediu passando um dos seus dedos pelos lábios dele – falamos depois, sim? – colou os seus lábios à pela suave da bochecha de Eden – Adeus – finalizou com um sorriso no rosto saindo dali.

- Resolveram as coisas? – perguntou Montana assim que lhe abriu a porta.
- Nem falamos quase. Estava lá a Natasha. – explicou Núria entrando dentro de casa de Montana – Monti…se calhar eu…não sei – falou confusa e gaguejando, queria contar-lhe toda a história com Eden e Oscar mas tinha medo, o que iria Montana achar dela?
- Espera, nós já falamos. Primeiro quero-te apresentar alguém que está aqui por casa por uns dias. Se tu e o Eden tivessem resolvido as coisas eu apresentava-to como apenas meu irmão, assim apresento-te como o sexy irmão da Montana, livre de namoradas e heterossexual.
Montana agarrou a mão de Núria, percorreram toda a casa chegando até à porta que dava para o jardim. Lá Núria viu um rapaz moreno e alto, não muito parecido com Montana mas era giro.
- Núria, apresento-te o meu irmão – sentiu-se envergonhada por momentos – é o Dalton. – concluiu Montana com um sorriso no rosto.
- Olá – falou tímida.
- Olá – disse Dalton chegando perto dela. Colocou uma das suas mãos na cintura de Núria e deu-lhe dois tímidos beijos na cara.
 Há sua frente via apenas nem mais nem menos que uma nova amizade.



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Olá!
Tenho umas coisinhas a dizer mas prometo ser rápida!
É o quarto capitulo desta história e ainda estou um pouco insegura. É uma história muito diferente das outras e acredito que possa não ser do vosso agrado. Por isso pedia mesmo que comentassem. Acham que devo continuar? Ou que devo parar? Sejam sinceras por favor, peço-vos.
Bem e fico por aqui. Espero que tenham gostado e que também estejam o gostar do rumo desta história.
Beijos,
Mahina ღ