sábado, 25 de outubro de 2014

Capitulo 5

Oscar acordou sentindo logo a falta de Núria na cama. Ela não estava ali, teria desistido de vez deles?
Um envelope que estava em cima na pequena mesa-de-cabeceira despertou-o. Pegou nele e abriu. Dentro dele estava uma carta, não hesitou e abriu-a.

Oscar,

Não sei muito bem como começar isto. Não tenho jeito nenhum para escrever cartas muito menos destas…não sei bem o que te dizer. Tenho que ser rápida, ainda podes acordar e não conseguiria falar contigo agora.
Gosto tanto de ti, Oscar, és tão genuíno. És uma pessoa maravilhosa, és tão querido comigo e tratas-me tão bem. Há muito que não encontrava um homem como tu mas há coisas impossíveis na vida e nós juntos é uma delas.
Podíamos lutar contra tudo e contra todos? Sim, na verdade podíamos mas não iria servir de nada porque o que nós sentimos um pelo outro não passa de carinho e atração física. Tu tens a Lu e sei que ela te faz feliz. Vê-se porque esse teu sorriso não engana ninguém.
Quero tanto que continuemos amigos, quero continuar a fazer parte da tua vida e quero que tu faças parte da minha. Acredito que vai ser difícil escondermos todo o desejo que temos um pelo outro (sim, não vou negar, o desejo continua e penso que ainda vai continuar por muito tempo) mas eu quero tentar. Além disso és colega do Eden e mesmo sem querermos vamos estar no mesmo espaço várias vezes e darmo-nos como amigos é essencial.
És muito especial e eu já to disse algumas vezes.
Prefiro encarar isto como uma nova etapa, é o fim da nossa aventura e o começo de algo novo. Vais ser pai! Não é tão bom? Tenho a certeza que darás um ótimo pai para esse filho que vem aí.
Eu ainda não sei o que vai ser da minha vida mas tenho a certeza que tudo se vai resolver. Contei ao Eden que o traí, não é algo que eu conseguisse esconder por muito mais tempo. Aliás não sei como lhe consegui esconder tal coisa por tanto tempo, eu não sou assim…acho que foste tu, és tão especial que me fizeste criar um mundo à parte só contigo.
Isto começa a ficar muito extenso. A missão de tentar ser breve não foi cumprida.
Vemo-nos por aí. Tens aí as minhas chaves, não posso ficar com elas seria mais uma recordação que talvez me pudesse fazer voltar e eu não quero.

Beijinhos,
Núria

Dobrou a carta e pô-la dentro do envelope novamente. Agora sim, era definitivamente um adeus àquela aventura, como Núria lhe chamado.



- O Léo faz dez meses.
- Eden…o Léo fez dez meses há uma semana.
- O Yannis faz três anos e um mês. – disse Eden rindo.
- Isso é só daqui a uns dias.
- Nu, para lá de ser difícil e anda cá a casa.
- Não quero interromper um momento de família feliz.
- Ciumenta, ouve lá não há razão para ter ciúmes.
- E…
- Isso é passado – Eden deduziu no que Núria iria falar e interrompeu-a o mais rápido possível – não digo que esqueçamos isto, a sério que não, digo apenas para darmos uma oportunidade ao futuro, ao nosso futuro. – falou com uma voz doce – tenho saudades tuas, meu anjo.
- Eu também – admitiu – e quando fui aí há uns dias queria-te dizer que podíamos tentar com que isto desse certo, sei que pode ser complicado mas eu quero voltar a ser tua namorada.
- Então podes vir cá para festejarmos os meus vinte e dois anos e onze meses? E os teus vinte e um anos e cinco meses?
- Acho que…sim. – respondeu , dar uma oportunidade ao futuro? Porque não?


- Não gosto! – atirou Eden roubando as pipocas a Núria – porque é que ela não ficou com o amor de adolescência dela? Porquê?
- Isto é um filme! Não é vida real! – disse Núria recuperando as pipocas para si – além disso ela tem filhos com o atual marido. – argumentou.
Tinham escolhido um filme calmo para aquela tarde de domingo. A típica história de dois ex-namorados que se reencontram 20 anos depois e o amor renasce.
- Ela ainda ama o Dawson! – o ex-namorado – melhor, ela nunca o deixou de amar, viste como os olhos dela brilharam?
- Eden… - Núria passou a sua mão pela face dele – é apenas um filme.
- E eles deviam ter ficados juntos… - colocou o seu braço em volta dos ombros de Núria, olhou-a fixamente tentando perceber se algo tinha mudado durante aquele tempo que tinham ficado separados mas não…tudo se mantinha intacto: o sorriso, o olhar, a pele suave…nada tinha mudado – tinha saudades tuas – admitiu encostando os seus lábios ao seu rosto.
Eden começou com uma sequência de pequenos beijos pela bochecha de Núria, desceu vagarosamente beijando-lhe o pescoço algo que a arrepiou de uma forma completamente louca. Inclinou ligeiramente o pescoço deixando que Eden continuasse a percorrer o seu pescoço até ao seu ombro onde lhe afastou a camisola que tinha vestida.
O som da campainha foi quem os despertou daqueles beijos e caricias. Eden revirou os olhos ao ouvir a campainha. Núria sorriu com a reação dele. Enquanto se levantou e foi abrir a porta Núria compôs a sua camisola que já lhe estava descaída no ombro.
Eden abriu a porta e pôde ver Natasha com os dois filhos. Olhou-a enquanto pensava.
- Não…eu não me baralhei, hoje não tínhamos combinado nada nem é dia de ficar com eles…
- Não temos que combinar nada para eu vir cá a casa com os nossos filhos! – atirou Natasha entrando em casa de Eden sem pedir qualquer tipo de premissão.
- Já não mando na minha própria casa… - sussurrou enquanto fechava a porta.
Enquanto Natasha entrava em casa Eden apressou-se até junto de Núria sentando-se ao seu lado e colocando um dos seus braços em torno dos ombros dela. Yannis correu na direção deles, Núria pegou no menino ao colo colocando-o nas suas pernas virando para eles os dois.
- Vocês…? – perguntou Natasha apontando para eles os dois. Ambos ficaram calados, não tinham a mínima intenção de lhe responder.
Léo fez alguns gestos em direção de Eden que de imediato pegou no filho deixando Natasha especada a olhá-los. Agora somos nós a família feliz – pensou Núria enquanto brincava com Yannis.
- Papá, vamos – Yannis saltou do colo de Núria puxando com a sua máxima força a mão do pai – anda brincar – continuou a pedir.
- Ficas com ele? – perguntou Eden a Núria entregando-lhe Léo para os braços.
- Claro! – pegou em Léo que colocou as suas mãos na cara de Núria rindo enquanto brincava com as suas pequenas mãos. O menino espirrou chamando a atenção de Núria – Ui, estás a ficar constipado – disse com a voz mais doce que tinha.
- Que eu saiba – começou Natasha fazendo com que Núria a olhasse – és enfermeira veterinária e o meu filho não é nenhum cão ou gato, não faças diagnósticos sem perceberes do assunto.
- Primeiro: não é preciso ser médico para perceber que o Léo está a ficar constipado, segundo: eu não trato só de cães ou gatos, trato muitos tipos de animais e terceiro: posso não ter capacidade de fazer diagnósticos ao teu filho mas a ti…quem sabe!
Natasha olhou-a irritada saindo depois da sala. Núria não costumava ser assim: má e provocadora mas com ela necessitou de o ser. Sabia que Natasha fazia tudo o que estava ao seu alcance para deitá-la a baixo, odiava-a como ninguém.
- A tua mãe não gosta nada de mim – sussurrou, sorrindo depois para Léo – mas paciência…vai ter que me aturar por mais uns tempos. – o menino espirrou novamente deixando depois a sua cabeça cair sobre o peito de Núria, deu-lhe um beijo na testa – talvez uma sesta te faça bem meu amor.


Núria acordou sobressaltada com os pequenos beijos de Eden sobre o seu nariz.
- Da última vez que olhei para mim, tinha o Léo deitado aqui, não tu! – movimentou-se no  sofá fazendo com que Eden saísse de cima dela e ficasse ao seu lado.
- Vamos sair?
- Sair? E os teus meninos?
- Os meus meninos – disse imitando a forma como Núria se havia referido aos seus filhos – foram com a mãe deles para casa, temos a noite por nossa conta.
- Se assim é… - falou colocando uma das suas pernas por cima da cintura de Eden – podemos sair – chegou a sua boca perto da dele, juntando depois os seus lábios aos do Eden – mas antes…vamos jantar.
- Podemos descongelar pizzas?
- Não! Isso faz mal à saúde. Precisas de cuidar de ti e eu de mim e pizzas congeladas não é o ideal. Posso fazer assim o teu prato favorito?
- Não entendo porque não foste para cozinheira.
- Depois ficava gorda!
- Ficarias linda na mesma, meu anjo.
Incrivelmente tudo tinha voltado ao normal, como era possível? Depois de se traírem um ao outro, os dois continuavam a ter a mesma cumplicidade, o mesmo carinho um pelo outro e aquela vontade de amar. Mas não passava de vontade…amar ainda não era ainda o patamar deles.
Núria levantou-se do sofá e foi em direção à cozinha, teria de começar a preparar o jantar. Cozinhar era uma das maneiras de se libertar. A sua mente ficava vazia, não havia preocupações enquanto cozinhava.
- Nu…? – Eden chamou chamando a sua atenção, estava na bancada e virou-se para trás encarando-o – com quem é que me traíste?
Gelou com aquela pergunta, virou-se novamente para a bancada e colocou algo mais no tacho onde fazia o refugado.
- Ouve eu… - começou enquanto as suas mãos começavam a tremer. Virou-se novamente para Eden – é melhor esquecermos isto.
- Mas…
- Por favor – pediu, colocou as suas mãos juntas às de Eden – foste tu o primeiro a dizer que isso era passado…por isso esquece. Vamos esquecer isto.
- Sim, tens razão. – colocou as suas mãos no rosto de Núria – desculpa, não devia ter tocado neste assunto. Queres ajuda?
- Obrigada mas não. Está tudo a correr bem. Mas queria-te pedir um favor.
- Tudo o que precisares.
- Ainda tenho cá roupa em casa, certo?
- Sim, apesar de eu te ter dito que não há uns tempos – riu-se lembrando-se do que tinha feito – tens muita roupa por aqui.
- Posso confiar m ti, para me escolheres a roupa para vestir quando sairmos?
- Claro – deu um último beijo a Núria antes de se encaminhar para o quarto – quando estiver pronto chama.
- Com certeza. – finalizou sorrindo-lhe.
Agora sabia porque a relação deles tinha ultrapassado as traições. Por muito mais carinho que pudessem sentir um pelo outro…eles não se amavam. Mas Núria tinha uma certeza: o amor vai-se formando com o tempo, crescendo depois. Maior parte dos casais quando começam a namorar não se amam, apenas sentem aquele carinho especial…tal e qual como o que Eden e Núria sentem um pelo outro.
Núria sabia que gostava o suficiente de Eden para namorar com ele, via nele tudo…um amigo, um confidente, um porto seguro…um namorado.
- O que achas? – Eden sobressaltou-a entrando na cozinha de repente – sempre adorei esta saia – disse virando a peça de roupa para Núria.
- Eu também! – disse-lhe sorrindo.


A música, o ambiente e todas aquelas bebidas, aquele era o sítio que Núria precisava há muito para descontrair e para conseguir sentir-se bem. Tinha falado com Eva e Siena para irem ter à mesma discoteca que eles.
Foi buscar a sua bebida para depois procurar Eden no meio daquela gente. Bateu contra alguém de frente e viu a sua camisola ser molhada.
- Oh não! – exclamou.
Olhou para a pessoa contra quem tinha batido e não podia acreditar…sucedeu o mesmo quando o tinha conhecido.
- O mesmo sítio, a mesma bebida, é coincidência a mais Nuri, ? – perguntou Oscar olhando-a de cima a baixo.


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Bom dia!
Aqui vos deixo o capítulo 5. Peço-vos mesmo que me deixem as vossas opiniões. Preciso de notar a vossa presença desse lado. Senão será complicado continuar a escrever esta história. Perante os vossos comentários ou ausência deles, tomarei uma decisão.
Bom fim de semana, meninas.
Beijinhos,
Mahina