quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Capitulo 6

- O que é que tens? – Montana fazia-lhe aquela pergunta perante o sorriso contagiante que Núria apresentava.
- I don’t know…maybe…the love!
Montana gargalhou pela tentativa (falhada) de Núria de falar com sotaque londrino.
- Estás alegre, gosto disso! Já resolveste as coisas com o Eden, certo?
- Não sei – na verdade não sabia mesmo, não tinham resolvido nada em concreto. Tinham decidido dar uma oportunidade ao futuro. Ao futuro promissor que os esperava.
- Não sabes?
- Não…estamos bem, acho eu.
- Nota-se! Já não te via a sorrir assim há muito tempo.
- Pois é – pena a razão do seu sorriso não ser Eden…ceder a Oscar não tinha explicação…apenas acontecia. Mas havia prometido a si mesma que iria deixar de se enganar, e as férias de Natal iriam servir para pôr as ideias todos no lugar.
Naquela noite na discoteca nada se tinha passado mas Oscar mostrou interesse em que ele e Núria ficassem juntos. Uns dias mais tarde tudo aconteceu, fugiu de Oscar num dia para ceder no outro.
- Quando é que vais para Portugal?
- Amanhã de manhã. – respondeu com um sorriso enorme, tinha tantas saudades de casa.
- Vou ter saudades tuas. – Montana abraçou-se a Núria, tinham criado uma relação forte.
- Eu também mas são só umas semanas, daqui a pouco já estou de volta.
Ouviram a porta a abrir e Andre a entrar por ela. Montana tinha-se sentado enquanto Núria tinha ficado em pé encostada a uma das cadeiras da sala.
- O que é que esta veterinária está aqui a fazer? – brincou Andre no fim de beijar Montana.
- A tua namorada diz que gosta mais de mim do que de ti e está a pensar ficar comigo e mandar-te embora.
- Como se eu acredita-se nisso! – Andre cumprimentou Núria sentando-se depois junta à namorada.
- A Nu vai embora – esclareceu Montana.
- Vais quando?
- Amanhã.
- Ninguém vai sentir saudades tuas. – brincou Andre mais uma vez.
- Oh, muito obrigada Andre. Era mesmo isso que eu desejava ouvir. – foi até Montana dando-lhe um beijo na bochecha para depois fazer o mesmo a Andre – vou andando que ainda tenho que me despedir do Eden e tal.
- Ele tinha ido buscar o Yannis a casa da Natasha. – informou Andre, arrependendo-se depois de ter visto a cara com que Núria havia ficado.
- Se calhar ainda fica por lá. – disse Núria com uma sinceridade imensa. Por mais que lhe custasse admitir Eden não tinha esquecido Natasha e ela sabia-o. Mas também sabia que Eden sentia um enorme carinho por ela e dava-lhe tudo, amor, segurança, carinho…mesmo que não a amasse, ele dava-lhe amor. – portem-se bem, não façam asneiras na minha ausência. E Monti, toma conta do Andre porque depois se ele se magoar não estou cá eu para tratar dele.
- Tão querida.
- Eu sei, eu sei – Núria sorria enquanto falava – adeus – disse enquanto se encaminhava para a porta.
- Boa viagem! – disseram os dois ao mesmo tempo. Sorriram-lhe os dois e Núria saiu ainda com o seu sorriso vivo presente.


Ainda com dificuldades em escolher a roupa, Núria ia fazendo a mala enquanto ouvia a chuva no exterior. Não tinha ido ter com Eden, achou melhor fazê-lo mais para a noite. A campainha tocou e como nem Eva nem Siena se encontravam em casa, teve que ser ela a sair do seu quarto e ir abrir a porta. Não se preocupou em ver quem era, apenas abriu a porta e foi surpreendida com Oscar do outro lado.
- Cê se ia embora e nem dizia nada! – atirou agarrando a sua cintura logo em seguida.
Todas as tentativas de se afastar de Oscar haviam falhado, houve uma conversa, aliás até mais que uma, houve uma carta…mas tudo tinha falhado. Sem se aperceber Oscar conseguia chegar sempre ao seu coração, seduzi-la com um beijo ou até um toque. E por mais que tentasse refazer a sua vida com Eden, tudo se estava a tornar impossível.
Oscar beijou-a fazendo com que Núria correspondesse totalmente. Fechou a porta ainda com os seus lábios presos nos dele.
- Não devias estar aqui!
- E você não devia ir embora.
- Tenho de ir…mas volto para continuar a estragar o teu casamento com a Ludmila! – disse aquilo em forma de brincadeira para depois falar mais sério – Sim! Porque é isso que eu estou a fazer! A estragar o teu casamento!
- E…eu estou estragando a sua relação com o Hazard.
- Sim, por essa ordem de ideias sim. – Núria fez os seus dedos deslizarem pela face de Oscar – e o que estamos a fazer é errado… - disse cabisbaixo.
Por mais alegria que Oscar lhe pudesse dar, Núria tinha sempre os seus momentos de fraqueza onde caía na realidade e percebia que tudo aquilo era errado. Estavam a enganar os seus companheiros mas…estar com Oscar era tão bom, tal como estar com Eden também era mas com as suas diferenças.
- Vamos falar a sério? – Núria afastou Oscar de si e olhou-o séria. Foi em direção ao seu quarto, Oscar seguia-a em passo lento – senta-te – pediu sentando-se também ela na borda da cama – ainda hoje não entendo como é que esta nossa…coisa começou – sim, coisa parecia-lhe a palavra ideal. Não eram amigos mas também não eram namorados – eu gosto muito de ti, e tu sabes isso – deixou os seus dedos encontrarem-se com o rosto de Oscar, acariciando-o de seguida – mas o que nós temos é complicado. Inexplicavelmente bom e agradável mas continua a ser complicado.
Oscar aproximou-se de Núria e beijou os seus lábios como só ele o fazia, com delicadeza, com paixão e com um pouco de provocação.
- Não me seduzas! – Núria terminou aquele beijo repreendendo-o depois com o olhar. Os dois riram-se em seguida – deixa-me continuar.
- Espere. – Oscar pegou nas pernas de Núria e colocou-as em cima das dele. Pegou nas mãos dela e entrelaçou-as com as dele – já pode falar – falou sorrindo.
- Isso é sacanagem! – brincou Núria utilizando a linguagem dele. Assim era mais complicado dizer o que necessitava de ser dito, já que agora estavam em completo contacto físico – ouve, eu quero que estes dias longe daqui me ajudem a perceber toda esta confusão que vai na minha cabeça. Preciso de decidir o que quero para a minha vida e tu também o precisas de fazer, Oscar, principalmente agora que vais ser pai.
- Você tem razão…como sempre. – Núria encostou a sua cabeça ao peito de Oscar para depois ele a acolher nos seus braços – falando português de Portugal, cê é muito importante para mim.
- Tu, Oscar, é tu.
- Então…Tu é…não, não dá certo assim não.
- És – falou sorrindo.
- Tu és muito importante para mim.
- Sim, é isso. E tu também és muito importante para mim.
- Dê beijinho à sua mãe.
- Dou?
- Sim, cê diz que eu acho a filha dela muito bonita e gosto muito dela.
- E mais?
- Também pode dizer que o genro dela é muito bonito.
- Convencido!
- Vou sentir sua falta – falou encostando os seus lábios à bochecha de Núria.




- Tinha tantas mas tantas saudades tuas! – Júlia recebeu a filha num enorme abraço. Algumas lágrimas escaparam pelos seus olhos, não de tristeza mas sim de toda aquela emoção que ia no seu coração – estás tão diferente!
- Mãe, eu estou igual.
- Estás diferente, eu sei o que digo! – Núria colocou as suas malas no quarto enquanto a sua mãe a observava – estás cansada?
- Um pouco – acabou por encostá-las a um canto e pegar na sua mala – preciso de ir fazer uma coisa.
- Mas…vens almoçar certo?
- Claro. – Núria aproximou-se da mãe dando-lhe um breve beijo na bochecha saindo depois de casa.
Sabia bem para onde se ia dirigir a seguir. Apesar de não ser um sítio agradável, era onde ela precisava de ir.
Quando ao longe viu o enorme portão que dava para aquele amplo cemitério deteve-se. Perguntou-se se iria ser capaz de entrar ali.
O céu estava a ficar escuro, iria chover. Tinha que ser rápida para não se molhar já que não tinha trazido chapéu-de-chuva.
Acelerou o passo, entrou naquele cemitério e foi ao encontro do que a moveu até ali. Baixou o seu corpo e passou os dedos sobre o mármore gelado. Sentiu uma corrente de ar que a arrepiou toda para depois do nada o seu coração ficar quente. Sentiu-se aconchegada naquele momento.
- Isto é tão complicado – falou num tom de voz baixíssimo, a intenção era não ser ouvida por outras pessoas mas sim apenas por uma: o seu pai - a mãe vai-me pedir para ficar aqui com ela em Portugal. Perguntou-me se serei capaz de deixar a vida, que me custou tanto construir em Londres durante estes anos para voltar para aqui – deixou os seus dedos escorregarem pelo mármore que começava a ficar húmido. Já chovia, em pouca quantidade mas já se sentia – É-me tão difícil falar sobre ti. Talvez pelas recordações que tenho tuas, além das fotografias, serem tão poucas. Não sei se sou a única a partilhar este sentimento estranho de: amar alguém sem sequer se lembrar da cara desse alguém – apertou o casaco, o frio era mais intenso mas isso não movia Núria dali – Eu amo-te, incrivelmente eu amo-te. Sem me lembrar da tua voz, do teu rosto, de uma palavra carinhosa que me disseste…mas não interessa. Há fotos para me lembrar de como eras, há vídeos gravados no Natal para me recordar da tua voz, vídeos que nunca me atrevi a ver, eu tenho medo... – retirou os seus dedos daquela pedra fria e olhou em volta, aquele lugar estava vazio – E eu tenho a certeza que me disseste várias palavras carinhosas, tenho a certeza que também me amavas a mim, ao João, ao Tiago e à mãe claro. Podia ainda perguntar-me o porquê de tudo isto mas aprendi a não o fazer. Só consigo falar disto com o Tiago, talvez por ser o mais velho, e ele sempre me disse para não perguntar o porquê de tudo isto à vida mas sim, habituar-me a viver com a falta de respostas pela parte dela. E aqui estou eu, ainda à espera que a vida me dê respostas ou não… O Tiago também me disse que se te tiver presente no meu coração tudo correrá bem e até tem corrido. – começou a chover intensamente e Núria só teve tempo de se levantar e sussurrar – eu amo-te pai – começou a correr, sabia que iria sair dali encharcada.




A véspera de Natal chegou rápido. Daqui a uns dias Núria teria que voltar para Londres e mal tinha dado por eles passarem.
No fim de jantarem e arrumarem a casa foram todos para a sala. Tinha-se juntado pouca gente em cada de Núria. A sua mãe e os seus irmão claro que ali estavam, mais a suas duas avós e a única irmã do seu pai com o marido e os deus dois filhos mais novos que ela. Clara tinha 16 anos e Gonçalo 18 anos.
A conversa já ia longa entre eles. Falavam de Matilde, da namorada de Tiago. Núria estava agarrada a Tiago enquanto este lhe acariciava o cabelo.
- João, só te falta a ti arranjar uma namorada – disse Núria com uma voz doce.
- Podemos sempre arranjar um catálogo para ele escolher a tal – sugeriu o Tiago.
- Isso é boa ideia! – Núria falou mais animada.
- Olha, tu nem precisaste de catálogo não é? – perguntou João provocando a irmã.
- João… – sussurrou ela percebendo a onde queria ele chegar.
- Diga, Núria Hazard…
- João! – Núria repreendendo rindo ainda um pouco, tinha ficado envergonhada com o que João acabara de anunciar indiretamente.
- Hazard…? – Gonçalo falou olhando a prima – Eden Hazard?
- Sim, a minha irmã namora com o Eden Hazard mas gosta de esconder – atirou João.
- Eu não… - Núria iria contrariar mas nem sabia bem o que fazer. Contrariar ou não?
- O Hazard cuida bem da minha irmã – Tiago abraçou Núria aconchegando-a para si – eu sei que sim.


- Eu tenho saudades tuas – Eden falou calmamente enquanto ouvi do outro lado a respiração calma de Núria.
- Eu também. És tema de conversa cá em casa. – informou no fim de se ter debatido consigo própria para decidir se dizia ou não aquilo.
- A sério?
- Sim. – sentiu-se na necessidade de dizer algo mais – o Tiago disse que tu cuidas bem de mim.
- E é mentira?
- Não. É bem verdade. – respirou fundo, tinha que dizer o que sentia – já passamos por algumas coisas juntos Eden e…eu sinto que me fazes bem de verdade.
- Eu gosto tanto de ti Núria.
- Eu também, acredita que eu também.
- Eu adoro quando falo contigo, preciso de ti aqui.
- Já falta pouco.
- Eu sei meu anjo mas custa-me demasiado estar aqui sem ti.
- E planos, para o novo ano?
- Dar-mos uma nova vida à nossa relação, ser muito feliz no futebol e dar a felicidade aos meus filhos que eles merecem.
- Já te disse que és um pai exemplar?
- Não!
- Disse sim! – atirou Núria entre o riso dos dois.
- Não disseste não…
- És um pai exemplar, Eden. E o Yannis e o Léo têm muita sorte em serem teus filhos.
- Obrigada, Nu. Eles ajudaram-me a crescer, a ser o homem que sou hoje.
- Eu sei, e isso é realmente fantástico.
- Eu…tenho uma prenda especial para ti quando voltares.
- Acabaste de me deixar curiosa e com imensa vontade de voltar para Londres.
- É isso que se quer!
- Dentro de alguns dias eu estou aí, já te disse.
- Eu fico à espera ansiosamente do dia em que vais voltar. Vou ter de ir – informou Eden.
- Vai sim, espero que o jogo hoje te corra bem. Boa sorte e beijinhos.
- Obrigada, meu anjo. Adoro-te.
- Eu também te adoro. – falou, desligando depois.

Olhou à sua volta. Aconchegou-se na sua manta no sofá e ficou a olhar o nada. Tinha tomado uma decisão sem se ter sequer apercebido. Oscar teria que passar a ser só amigo. Talvez o novo ano também trouxesse a Oscar uma nova visão das coisas, ia ter um filho e Núria não podia nem devia pertencer à vida de dele. Tinha um lugar na vida de Eden, apesar de não se sentir segura quanto a um possível namoro. Ele ainda não tinha tocado na palavra-chave: namoro. Será que para ele já o tinham voltado a ser? Núria não tinha tantas certezas que algum dia pudessem voltar ao que eram antes. Ainda que há uns dias quisesse voltar a ser namorada de Eden, neste momento já não tinha tantas certezas. Havia Natasha. Havia Oscar. A favor deles...talvez não houvesse nada.





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Boa noite!
Mais um capitulo. Vou apostar dizer que muitas mudanças vos esperam nesta história.
Espero as vossas opiniões!
Beijinhos,
Mahina